O artista Marcelo Mendonça desde o início da sua trajetória profissional, com sua inquietude e curiosidade, fez do conhecimento a alavanca que o impulsionou para o seu sucesso atual. Definindo com ousadia, sensibilidade, bom gosto e muita criatividade, a repercussão da sua arte internacionalmente.
A beleza do trabalho de Marcelo é fruto da incessante preocupação que o artista tem em aprimorar suas técnicas e a sua sensibilidade, para levar ao público uma obra que lhes toquem e os conectem sensorialmente de maneira ímpar. Não é à toa, que ele já foi premiado em2013, no Concurso Internacional Ilustracíon Sky Gallery Arts – Barcelona e em 2003, durante o Catálogo do XI Salão Internacional de Desenho para Imprensa, em Porto Alegre.
E é com esse artista promissor, que vamos bater um papo para saber mais do seu trabalho.
MM-Em geral como funciona o processo criativo na produção dos seus trabalhos?
Tenho o foco em temáticas sociais e o processo se inicia a partir de minha análise do comportamento das pessoas diante dos problemas que nos cercam. Então sempre parto da pergunta: o que estou fazendo para mudar esta realidade? Qual o meu papel diante de tudo isso? E aí vão nascendo as ideias para a minha criação. Eu passo a rabiscar e pesquisar estas ideias e assim vou dando forma ao que irei trabalhar. Eu lido com fotografia, ilustração gráfica e pinturas e minha obra as vezes se manifesta em uma dessa linhas e outras vezes tenho as três linhas costuradas em uma, que é o caso da obra a Flor da Pele, que venho me dedicando neste momento.
MM-A sua trajetória profissional mostra uma pessoa inquieta que está sempre em busca de novos desafios. Essa inquietude é também retratada em seus trabalhos?
Sou uma pessoa tranquila, mas quem convive comigo me percebe muito inquieto, 24 horas produzindo, ainda que parado com o olhar perdido em algo. Acho que a manifestação dessa onda toda vai mesmo para o que eu faço. Tenho produzido de uma maneira legal e fazendo acontecer meus projetos, estou feliz por isso, porque por em prática ideias não é fácil. Eu ainda pretendo ter muita inquietude na vida, isso é o que faz a vida ser interessante.
MM-Hoje você vive na Europa, mas encontramos muito elementos do Brasil retratados em seus trabalhos. Posso te considerar então um cidadão cosmopolita, com uma arte tipicamente brasileira ou você teria outra definição?
Eu sou nascido e criado em Salvador e me considero muito baiano no que eu faço. Hoje bebo de outras fontes por morar em outro país sinto que isso enriquece meu repertório sem perder minhas origens. Tenho amigos artistas aqui com trabalhos surpreendentes, como David Farran de Mora, Santi Senso e Mariano Mendoza que me inspiram muito com suas obras, por exemplo. Refiro-me de arte em modo geral no que vejo em teatro, moda, música e artes visuais. Acho que o lance de sair do seu mundo é bacana para um artista.
MM- Como diretor de arte, você trabalhou para grandes estrelas brasileiras e se destacou profissionalmente por isso, e atualmente como artista, sua obra é reconhecida internacionalmente. Você já se considera um homem bem sucedido ou ainda te falta algo?
Considero-me bem sucedido pelo fato de fazer o que eu gosto. Tenho muitos sonhos a concretizar no meu trabalho e para isso ainda falta muito. Ter o trabalho reconhecido é bacana, mas o melhor de tudo isso é o prazer de construir, de contribuir, de interagir e aprender com pessoas e a arte.
MM-Qual palavra melhor definiria seu atual momento profissional? (Justifique)
Dedicação. Tenho batalhado muito para realizar o que desejo com a magnitude que gostaria de levar para minha arte.
MM-Quais os seus planos para o futuro?
Estou criando a expo A Flor da Pele, em que ilustro o corpo de pessoas e as fotografo. São problemas sociais refletidos artisticamente na pele de pessoas. Dentre os que posam há amigos, artistas e personalidades que fazem parte de alguma maneira da minha vida. O Flavio Venturini foi o primeiro a posar. Este trabalho tem sido o carro chefe de minha dedicação neste momento. Em 2014 espero levar este projeto para algumas cidades. Tenho também um projeto de fotografia, futebol e arte sustentável com o designer João Vanderley que pretendemos lançar em janeiro de 2014 e além disso quero continuar homenageando alguns artistas com expos inspiradas em suas obras. Ano passado homenageei Jorge Amado, este ano ao centenário de Vinícius de Moraes e próximo uma será a vez de Dorival Caymmi.
André Freire
( Foto: Mariano Mendonza)

