Dia de Navegar na Web!

Dia de Navegar na Web!

No nosso lindo sábado de navegar na web, uma matéria mais linda ainda em comemoração dos 40 anos da CasaVogue chamou atenção pela valorização do talento brasileiro e um projeto que colocou na mão dos Designers a responsabilidade de criar peças inéditas, olha o resultado:

Os Designers e suas criações

 

Rosenbaum e O Fetiche (Foto: Reprodução CasaVogue) Rosenbaum e O Fetiche (Foto: Reprodução CasaVogue)

Brasil sofisticado

Uma reminiscência das cadeiras de varanda feitas com espaguete plástico, bastante populares no Brasil e na América Latina há algumas décadas, a cadeira proposta por Marcelo Rosenbaum, Adriana Benguela (ausente na foto), Paulo Biacchi e Carolina Armellini tem raízes tropicais com sotaque contemporâneo. Na estrutura de ferro, o encosto é definido por um círculo que transpassa o assento, também circular, projetando-se para frente. “Fluido e flexível, o encosto abraça quem senta, e o diferencial do produto está justamente nesse abraço”, analisa Rosenbaum. Suportando as costas, uma trama de espaguete vazado de látex foi usada no protótipo, produzido pela Oppa – os designers, que já produziram duas linhas para a marca, ainda pesquisam novos materiais para a versão final do móvel, a ser lançado em breve. “Ao mesmo tempo em que essa peça tem uma identidade brasileira, ela é eclética e sofisticada, como a Casa Vogue”, avalia Paulo.

 

Zanini de Zanine (Foto: Reprodução CasaVogue) Zanini de Zanine (Foto: Reprodução CasaVogue)

Memória minimalista

As esculturas desenvolvidas por Sergio Camargo em 1975 – mais especialmente os cilindros que as compõem – inspiraram a criação do banquinho Cil. “Levando em conta que são os 40 anos da Casa Vogue, voltei no tempo e decidi buscar uma referência naquele período, dentro de um assunto que me interessa muito, o das esculturas nacionais”, conta Zanini, que contou sua trajetória no começo do ano. “A peça é muito simples: é feita com uma antiga coluna de uma casa, de ipê, na qual entram dois elementos cilíndricos.” Nas laterais do bloco central (que mantém a seção da coluna original), duas reentrâncias recebem os cilindros, que são encaixados e colados.

 

Rodrigo Almeida (Foto: Reprodução CasaVogue) Rodrigo Almeida (Foto: Reprodução CasaVogue)

Lirismo industrial

A estética contemporânea da cadeira Búzios não entrega sua inspiração inicial: os móveis de vime tradicionais. “Eles têm essas linhas mais orgânicas, em forma de concha, e eu quis fazer uma releitura disso”, diz Rodrigo, que já mostrou sua casa e sua rotina calma na metrópole. Para tanto, substituiu o vime natural pelo sintético, de PVC reciclado, e multiplicou o encosto da peça por três, dando origem a dois pés inusitados. O protótipo, que tem estrutura de alumínio, foi pensado para produção industrial. “É uma peça que tem relação com o passado e com o presente – seu desenho elegante casa com os princípios da revista”, reflete o designer.

 

Brunno Jahara (Foto: Reprodução CasaVogue) Brunno Jahara (Foto: Reprodução CasaVogue)

Identidade nacional

Para a criação da mesa lateral Terracota, o designer aprofunda seus experimentos com o barro cozido, “um material muito honesto, que gera formas puras”. A terracota foi introduzida em seu repertório com a coleção Conterrâneos, na qual unia objetos preexistentes para conceber novas peças. Agora, ele se vale da mesma plasticidade, mas com uma diferença importante: a estrutura da mesa – que deverá ser executada em larga escala, em breve – é uma peça única de barro torneado à mão. Encaixado numa reentrância da estrutura, o tampo removível de porcelana pode ser usado como bandeja. “Esta mesa dialoga com a Casa Vogue porque tem forte identidade brasileira”, afirma Brunno, que já criou um móvel em parceria com a revista.

 

Ana Neute (Foto: Reprodução CasaVogue) Ana Neute (Foto: Reprodução CasaVogue)

Função e poesia

A luminária Passarinho utiliza métodos construtivos clássicos da indústria de iluminação (como a cúpula feita com repuxo) para dar forma a um produto que se destaca pelo frescor do desenho. Dispostas em uma haste metálica com acabamento preto, as cúpulas de latão polido remetem a passarinhos enfileirados nos fios de luz. O resultado é “um objeto que, apesar de relativamente simples, é elegante, como o que a Casa Vogue publica nas suas páginas”, aponta Ana. A versatilidade é outro ponto forte: como as cúpulas giram 180°, podem ser voltadas para cima ou para baixo, criando diferentes atmosferas: “Se elas são direcionadas para baixo, delimitam um foco e o resto do ambiente fica escuro, dá um certo drama. Para iluminar o espaço como um todo, basta girar algumas (ou todas) para cima, rebatendo a luz no teto”, exemplifica.

 

Ricardo Graham (Foto: Reprodução CasaVogue) Ricardo Graham (Foto: Reprodução CasaVogue)

Natureza múltipla

Uma escada cheia de bossa foi a resposta do designer ao convite da Casa Vogue. Toda construída com madeira maciça, ela mescla a peroba-do-campo (usada nas barras verticais e em alguns degraus) e o pau-rainha (nas porcas e nos degraus restantes). “Resolvi fazer a escada de maneira a montar e desmontar, utilizando um sistema de porcas e parafusos também de madeira”, revela Ricardo. “Acho que a escada não precisa estar escondida na área de serviço: pode decorar a sala, servir para pendurar coisas, por exemplo, ultrapassando os sentidos convencionais da peça – apesar de servir muito bem para subir e pegar seus livros. É esse aspecto, de superar o convencional, que a peça compartilha com a revista.”

 

Gustavo Bittencourt (Foto: Reprodução CasaVogue) Gustavo Bittencourt (Foto: Reprodução CasaVogue)

Tradição reinterpretada

A paginação dos clássicos pisos de parquet motivou a criação do banco Piano, Piano. “Esse tipo de piso, tão bonito, é cada vez mais raro, por isso quis trazer essa estética de outra forma para a casa das pessoas”, conta Gustavo. O apelo naturalmente existente no desenho ganha força com a aplicação de madeiras de tonalidades variadas (freijó, roxinho e ipê), que promovem contraste entre os diversos pedaços. O nome da peça faz alusão ao velho ditado italiano “piano, piano, si va lontano” (“devagar se vai ao longe”, em português), e brinca com o fato de inúmeras pequenas partes se juntarem aos poucos para compor um móvel maior. “Para desenhar o banco, pensei na tradição que tem a Casa Vogue de sempre mostrar o melhor do cenário e valorizar o design. E também na elegância”, explica o designer.

 

Alva (Foto: Reprodução CasaVogue) Alva (Foto: Reprodução CasaVogue)

Resgate do artesanal

Criação dos irmãos Marcelo Alvarenga e Susana Bastos, do estúdio Alva, Belly é uma linha de porta-objetos de parede idealizada para guardar papéis, revistas e documentos. Apesar de funcionais, as peças chamam atenção mesmo é pela aparência elegante: compostas por vários nichos de diferentes tamanhos, combinam o uso de couro sola cru com pelo de vaca e camurça colorida. “Essa foi a oportunidade de unir duas vontades: a de conceber um ‘porta-coisas’ e a de aprender sobre o trabalho de selaria. Mesclamos o couro sola, normalmente usado na sela, com a camurça nos detalhes”, diz Susana. Ao tirarem partido de uma arte consagrada, os designers relacionam sua mais nova peça à Casa Vogue: “Para nós, a revista é uma referência, pois une tradição e inovação – e esse é um ponto que liga a publicação ao nosso objeto”, acredita Marcelo.

 

Guilherme Wentz (Foto: Reprodução CasaVogue) Guilherme Wentz (Foto: Reprodução CasaVogue)

Brasilidade contemporânea

Um grande prisma triangular que se apoia em dois outros menores, mas de formato semelhante: eis o banco Três, criação minimalista que contrapõe a assepsia das formas geométricas puras à opulência dos veios da madeira rústica. O volume principal, feito de cumaru, se une de maneira assimétrica aos dois menores (dispostos um de cada lado), de pequiá, para causar a impressão de um certo desequilíbrio. “Parece que o banco está no limite da sustentação e que vai tombar a qualquer momento. Foi um exercício de estética e de formalismo”, relata Guilherme, que executou o protótipo em parceria com a Tora Brasil e deve lançá-lo em breve. “A Casa Vogue sempre falou do futuro do design nacional, então segui essa ideia de usar uma matéria-prima tipicamente brasileira, que é a tora bruta, mas com uma linguagem mais contemporânea.”

 

Pedro Paulo Venzon (Foto: Reprodução CasaVogue) Pedro Paulo Venzon (Foto: Reprodução CasaVogue)

Longe do convencional

Uma penteadeira diferente? Uma cadeira com um encosto fora dos padrões? A peça imaginada por Pedro – um misto de mesa e mancebo – busca justamente suscitar esse estranhamento à primeira vista e questionar os limites de função entre diversos tipos de móveis. “Eu queria fazer algo que não fosse exatamente reconhecível como ‘é isso e tem essa função’, conta o designer. A mesma estrutura de açocarbono que sustenta o tampo (de mármore nero marquina) se prolonga e dá origem ao círculo vazado que faz as vezes de mancebo. O nome do móvel? “É Arauto”, explica, “porque a Casa Vogue, uma publicação que sempre foi de vanguarda na discussão sobre a arquitetura e o design, tem esse papel de arauto, de falar antes ou estar à frente dos outros.”

Veja também

Michelle Marie